da fotografia para a imagem

por mayra vilar lins

“(…) O conceito de ‘presença’ proposto por Martin Heidegger (1988), “o modo de ser das coisas, que é diferente o modo de ser do homem, que é a sua existência”, tem servido de apoio para teses atuais que propõem um novo sentido de percepção para a o ‘artístico’. Considerar uma obra em sua ‘presença’ é abolir a sua condição de naturalismo representacional, de simples interferência mimética. A obra não representa, ela apresenta, ou melhor, ‘presenta’ (que reúne em si presença e presente, o ser e o estar) o seu próprio ‘sistema biológico’. Não se trata de reenquadrar em termos mais apropriados uma mesma ideia, mas, ao contrário, de apontar para uma condição inerente a qualquer obra de arte: ela é ao mesmo tempo signo e objeto, nessas flutuações estabelece seu jogo.
(…) Ao evocar o fim do tempo em suspensão por uma nova ordem em que a singularidade é substituída pelo contínuo, pela presença e pela expansão, tocamos o hibridismo das manifestações contemporâneas, a concluir uma expansão dos limites pelos procedimentos virtuais, pela alteração do universo das imagens em que se pode tocar num pixel e alterá-lo, numa informação que é processada e se apresenta como uma imagem, uma aparência tão real quanto o que lhe origina só que sem origem. Um simulacro. “O simulacro nunca é o que oculta a verdade – é a verdade que oculta o que não existe. O simulacro é verdadeiro” (Eclesiastes, apud Baudrillard, 1991). (…)”
Maurício Martins Farina
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