memória

por mayra vilar lins

“(…) O que sustenta a imagem não é tal noção de verdade. Ela interessa à grande ciência que busca compreender realidades imutáveis: Newton descobriu a verdade sobre a atração dos corpos. Interessa também à pequena moral: a polícia descobriu a verdade sobre certo assassinato que comove o público. Uma coisa é tão estável que não precisa ser lembrada, a outra é tão insignificante que logo será esquecida.
As imagens operam no domínio da memória, que não é nem tão definitiva quanto a gravidade e nem tão efêmera quanto um fato televisivo. Ela persiste, sempre em movimento. As memórias mais intensas não almejam a verdade, caso contrário elas se esgotariam diante de uma prova. Elas estão aí para serem vividas em sua incompletude, repetidamente, e aquilo que lhes falta é exatamente o que permite a ela tocar o presente. Como diz Chris Marker, “uma memória total é uma memória anestesiada” (Sem Sol, 1983).”
Ronaldo Entler – Quando a verdade não importa’
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