‘Sentimental Journey’

por mayra vilar lins

… da incrível série do fotógrafo japonês Nobuyoshi Araki:

 

 

“(…) Continuando a narração, Araki baixa o tom da voz. Começa a descrever as últimas cenas de “Sentimental Jouney” como se fosse uma confissão. “Depois que os médicos prognosticaram meio ano de vida à minha mulher, ela voltou para casa. Meu mundo e o tempo detiveram-se por completo. Estava paralisado. No dia de sua morte nevava e senti como se o tempo tivesse se congelado. Fazia muito frio. Abri a janela e o gato Chiro-chan saiu para fora. Repentinamente Chiro-chan começou a mover-se. Era uma mostra palpável de vida que pôs um fim a essa atmosfera de pesar que me abrumava. Chiro-chan foi-me de muita ajuda. O gato e eu nos comunicamos. Saltou inconscientemente e eu, também de maneira involuntária, comecei a fotografá-lo. O gato, ou minha mulher, queriam dizer-me que voltasse à vida, que podia permanecer na morte. Creio que estes sentimentos estão bem refletidos na obra, daí, seu poder. “Sentimental Journey” é minha obra culminante. Depois dela, não existe outra. Quando se sofre a perda de um ser amado, a morte dá-nos um poder, revitaliza. É como se recebêssemos o poder da vida e da morte. A morte, por conseguinte, é uma coisa formosa. Quando se aproxima a morte, também se aproxima a beleza”. (…) “
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