Uncreative Writing

por mayra vilar lins

Giselle Beiguelman entrevista Kenett Goldsmith:
“Eu trabalhei em publicidade durante muitos anos, como diretor de criação. Posso afirmar que, apesar do que os gurus culturais poderiam dizer, a criatividade – como foi configurada em nossa cultura – é algo de que devemos fugir, não apenas como membros da classe criativa, mas também como membros da classe artística. Depois da desconstrução e atomização das palavras no modernismo (diante da linguagem poética), existe uma necessidade não apenas de ver a linguagem novamente como um todo – sintática e gramaticalmente intacta –, mas reconhecer as rachaduras na superfície do vaso linguístico reconstruído. Vivendo em um tempo em que a tecnologia muda as regras do jogo em todos os aspectos de nossas vidas, é hora de questionar e derrubar esses clichês e estendê-los no chão à nossa frente, para reconstruir essas brasas ardentes em algo novo, algo contemporâneo, algo finalmente relevante. Portanto, para prosseguir, precisamos empregar uma estratégia de opostos – o tédio não tedioso, a escrita não criativa, a contraexpressão, o não original –, todos métodos de desorientação usados para reimaginar o nosso relacionamento normativo com a linguagem.”
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